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22 de nov. de 2009

sem despedir


O que ficou virou cicatriz
o vento não lava.



(Representando simbolica-mente:
Aniversariante oculto,
os trintaeum,
uma circense cacheada e
os meus olhos lagos.)

7 de nov. de 2009

Cor de eu



Verdes olhos
cabelo amarelo
de dentro vermelho
Cor do dia,
som do beijo e
vontade à vontade.

Deita no azul
acorda rosinha
Sonha o arco iris
i-n-t-e-i-r-o.
Ela fala
passarinhos.





O desejo de FALEar

Só para voar
a cabeça foge
o corpo cansa
mas ainda não acabou.


"AA UU Estou ficando louco de tanto pensar. "

22 de ago. de 2009

O dia da Saudade [21.08]

" Eu sou eu, Nicuri é o diabo. "

E se passam 20 anos, como nuvens.
E se escolhem os que merecem chover.
A cada dia mais molhada com lembranças que não tive.
Da presença constante que nunca vi,
até a voz que ouço diariamente ecoando
em mim mesma.
Um diamente em mãos de mendigos,
um ouro de tolo, um rockxixe.
Uma estrela me escolheu,
estrela em singular
nos meus ouvidos e
olhos.
Até.

" Eu sou eu, Nicucu é o Didi. "





"Veja o poeta inspirado em Coca-Cola que poesia mais sem graça ele iria expressar. É triste ver que tudo isso é real, porque assim como os poetas todos nós temos que sonhar. " [Movido a álcool]

16 de ago. de 2009

Observar ou não observar? Eis a questão.

Admito que não sou muito observadora, afinal, ando sempre distraída olhando pra tudo e não vendo nada. Sempre com a cabeça longe, os pensamentos agitados (ou ninados) por qualquer outra coisa que, na maioria das vezes, está no passado ou no outro lado da razão.

As pessoas reclamam bastante, mas são poucas as vezes que presto atenção no que elas dizem. 'Nader, entendeu?' Ser surpreendidapor esta pergunta já faz parte da minha rotina. Tento sempre me esquivar, mas admito também que não sou muito boa com desculpas.

Existem pessoas que estão sempre atentas, com reflexos apurados e o olhar inquieto. Não sei se as invejo ou se lamento por elas. Se pensarmos em catástofres naturais, tragédias ou coisas do tipo, eu deveria invejá-las. Tomemos como exemplo o caso das Ondas Gigantes (Tisu... sei lá o que!), ou então o das Torres Gêmeas (Uôurde...). Se eu estivesse na praia no exato momento da chegadas das "ondinhas" eu ia direto de encontro com a Pequena Sereia, mas, se eu fosse um pouquinho mais astuta, poderia correrno meu melhor estilo maratonista e talvez pudesse estar viva. Nas torres, a gente conta com a sorte também, afinal, se eu estivesse dentro do avião, a correria não ia adiantar nada e eu ainda poderia ser suspeita de participar da trama toda. É, você pensa que é fácil assinar Nader num planeto no qual os árabes são famosos por serem amigáveis frequentadores da Disney? Enfim, minha descendência libanesa e meus complexos podem ficar pra outra história; voltemos ao assunto inicial.

Mas, qual era mesmo? Ah, sim sim. Falta de atenção! Seguindo o mesmo raciocínio, porém, considerando outras hipóteses, imagine que você está num ótimo emprego, no qual você espera uma promoção há anos. O dia chegou. Seu chefe, no momento de conversar com você a respeito, aparece na sua sala sorridente e, com isso, você percebe que a dentadura do coitado está hilariamente mal colocada. Qual seria a reaçãode um ser observador? Desatar a rir descompassadamente e perder o emprego. E qual seria a reação de um ser distraído? Nula. Não haveria reação, uma vez que, este nem ia notar nada. Aliás, é provável que este nem tenha notado se tem ou não dentes (verdadeiros ou postiços) na boca do chefe.

Outro exemplo seria, um clima picante, você e sua namorada (ou até mesmo a vizinha gostosa, não importa) trocando beijinhos. Você pode, de repente, reparar que ela é vesga e murchar até a ponta dos dedos, ou pode nem perceber o olhar atraente (se formos considerar que um olho atrai o outro) e continuar se divertindo.

Pois é, há vantagens desvantagens nessa história, e acabo de reparar que não consigo concluir nada a respeito. Pra falar a verdade, estou me lembrando agora que seria bom se esse texto chegasse à algum lugar. Digo no sentido de ter uma finalidade mesmo, que não fosse um relato sem contexto (sem lenço e sem documento...).

Ah, deixo isso pra você. Você escolhe se vai reparar que o texto não tem conclusão, ou, somente ao chegar nesse ponto, vai notar que não sabe nem do que se trata toda essa crônica. Self-service.

20 de jul. de 2009

Ciar

Pensa tudo, pensa nada.
Não, não pensa.
Ciúme.!
[faz parte de mim.]

16 de jul. de 2009

TRIsteza.

" Adelante, Estudiantes! "


Gracias, hermanos!

15 de jul. de 2009

sem com texto

Não se vingue dos meus olhos
não me beije em pensamento
Não diga nada
em um sorriso semi-nu.
Não deixe de gritar
não grite sem razão.
Suba do céu,
desça do chão.

23 de jun. de 2009

O tempo de muito tempo

Ainda penso em clarear os
cabelos,
desafirmar as mãos.
Ter mais histórias do que
dentes.
Quero ter mais velas
do que bolo,
mais experiência,
que pressa.
Deixar que o tempo
me beije, mas
não maltrate.
Zombar das horas,
rir de boca vazia
e peito cheio.
Quero voltar a ser
criança,
com todas manias,
mas com toda idade.
E provar que
posso ser
feliz,
porque o tempo...
Ah! O tempo é perda de tempo!

9 de jun. de 2009

Rara calma e vice-versa

"Pus nos olhos vidros pra poder...
melhor te enxergar"

E agora te enxergo
apenas com o meu
músculo involuntário,
este mesmo, que pulsa
me confidenciando que
o palco é seu e
o céu também.
Dona dos meus ouvidos,
luz dos meus olhos.

~ É o que ouço em momentos de calma rara.

3 de mai. de 2009

Ama o amor
em larga escala;
de uma forma
intensa de doer.
Dói uma dor
deliciosa de viver.
Compulsa, pulsa.
Lateja, beija.

2 de mai. de 2009

Faça o que quiser fazer.

http://www.youtube.com/watch?v=xISCCOM2qPk
com Cássia Eller e Fábio Allman.


Pegue, se quiser um pedaço
Se quiser inteiro, se quiser pegar
Quebre, se gostar do som
Se te botar pra cima, se pra você é bom

Chore, se você quiser
Se te ajuda a ver, se ajuda a enxergar
Reze, se quiser rezar
Se isso te convém, se você souber

Faça o que quiser fazer, é só você querer
Faça o que quiser fazer

Fuja, se você tem medo
Se mesmo sendo cedo essa é a solução
Finja, quando quiser enganar
Ou mesmo dissimular alguma situação

Grite, se quiser gritar
Se é só pra aliviar, grite logo, então
Morra, mesmo sem querer
Ou se você quiser com suas próprias mãos


1 de mai. de 2009

Um pedaço do meu Nordeste.

Tenho ouvidos no Nordeste;
onde o chão é seco e o coração, quente.
Nordestino tem sei jeito marcante de ser; inconfundível.
Garanto que a imensidão não finda, mas me dou o direito de escolher alguns.
Os primeiros que me vêm a cabeça, os mais profundos no meu peito.
Sei também que sinto muitos outros, os quais minha memória limitada insiste em esconder.
Mas, por agora, vejo estes:

Pernambuco:

Cidade: Arcoverde.
Cordel do Fogo Encantado

As palavras são firmes.
Sofridos e intensos; de chorar, rir, pensar.
Poesia teatral, percussão viceral.
Ao toque de cada tambor, o arrepio da alma.
A cada grito de Lira, uma lágrima.
São os mestres do meu circo sem futuro.
Na memória a frase: "Pai, me ensina a ser palhaço?"

Tríade:
- Palhaço do Circo sem Futuro
- Na veia
- Pisa na Umbanda




Cidade: Recife
Lenine

Um romântico de fala encantada.
Canta, da forma mais divina, meus, seus, nossos amores.
Vai além e volta, bate e fica.
É lindo tudo o que diz, é engraçado vê-lo dançar.
Gosto do jeito, da voz, das letras.
Me conquistou de modo sutil, me fez devanear na imensidão de um coração [o dele].
De todas as formas, me disse tudo: "ser, ou não ser, é mero detalhe."

Tríade:
- Vivo
- Todas elas juntas num só ser
- Do it



Ainda fala: Alceu Valença [São Bento do Una].



Maranhão:

Cidade: São Luís
Zeca Baleiro

Sutil e inteligente.
Muitas vezes, é a voz do meu peito.
Um cantante engraçado, mas fatal.
Ele canta, ele sorri.
Sabe dizer leve, sabe gritar pesado.
É poeta, e brinca com as letras.
É o ápice do que se tem em pensamento,
ele fala o que ninguém pensa.
Ele sabe me disritmar.

Tríade:
- Vô imbolá
- Bicho de Sete Cabeças
- Disritmia



Paraíba:


Cidade: Catolé do Rocha
Chico César

Tem fibra de onde nasceu, tem sotaque gostoso.
Embalante, e vibrante.
Pode ser sutil, pode ser implícito, pode ser explícito, pode ser cortante.
Ginga, dança e forrozeia.
Gosto quando me faz sorrir, pensar e me apaixonar.


Tríade:
- Isso
- Dentro
- Comer na mão



Ainda fala: Zé Ramalho [Brejo do Cruz].



Bahia:

Cidade: Salvador
Raul Seixas

Desse eu gosto por inteiro.
Ele me move o coração, me deslumbra o pensamento.
As vezes, a gente pensa demais e, as vezes, de menos; mas, nele, eu penso toda.
Gosto da letra, da diversidade.
É rockabilly, é forró, é sertanejo, é brega, é rock, é sarcástico, é romântico, é anarquista, é insano, é samba, é falar-tudo, é falar-nada... é o princípio, o meio e o fim. Completo músico, poeta, escritor e cachaceiro.
Sim, o que não toca nas rádios, o que ninguém canta ou conhece.
Esse sim é o verdadeiro Raul que vos falo.


Tríade:
- Segredo da Luz
- Fazendo o que o Diabo gosta
- Lua Bonita

Ainda fala: Gilberto Gil, Caetano Veloso, Camisa de Vênus, Novos Baianos.


_____________

25 de abr. de 2009

Nos olhos: Chris Noth.
Um encanto de grande porte.

Dizes que a beleza não é nada? Imagina um hipopótamo com alma de anjo... Sim, ele poderá convencer os outros de sua angelitude - mas que trabalheira! [Mário Quintana]



23 de abr. de 2009

Ela não está sozinha

E quando se lê o doído alheio
pode até pensar em ajudar
mas nada, a parte
ou o meio
tenta em vão nos explicar.

Não saber o que dizer
o normal de não falar
Mas, querer ver
e acariciar,
fazem parte do cuidar.

E desejo a energia
a fluir em compulsão
Vem logo tempo médico
Doutorar tal
coração.


[À minha companheira de taverna.
De quem nada mais tem a dizer [eu].
É incompleto, e as lacunas quem preenche é você.
Com todas os ditos taurinos.]

25 de mar. de 2009

Gramatizado.

Ser verbo nem pouco adjetivo
é o artigo definido de um
idefinido beijo substantivo
sim afirmação.
Um indefinido pensamento
substantivo
paira no céu
azul-zíssimo superlativo.
Mas conjunção tudo
ainda anda verbo
em preposição torno
daquele demonstrativo
único adjetivo
beijo - sem classificação.

Quer verbo sentido
nesse demonstrativo
monte de palavras substantivo
interrogação
Vá verbo onde você pronome
não negação dispensa.
Dentro de um indefinido
coração substantivo
Tem verbo idéia?
[sem reformas, por favor.]

Gra-má-ti-ca?
Eu pronome gosto verbo.
E conjunção a uso verbo
para finalidade verbar...

18 de mar. de 2009

Deus Pão-de-mel

Faço questão de começar pelo começo, e o começo se resume em: negócios.
Não, não sou judia.
Mas, nesse mundo capitalista em que vivemos, somos obrigados a nos render um pouco e procurar o leitinho das crianças.

Nessa minha incessante busca pela sobrevivência, tentei várias coisas. Numa delas encontrei minha mina de ouro. Falando disso, não posso deixar de enfatizar que, assim como o carinha da Coca-Cola, o sr. Mc Donald e aquele esquisito do computador, trabalhei bastante até descobrir algo desconhecido e rentável. Descobri um broncodilatador, cicatrizante, afrodisíaco e... ufa! Um verdadeiro elixir da perfeição. É óbvio que me senti "a alquimista" com essa descoberta e fui logo usando meu gogó pra divulgar tal maravilha.

Fiz um curso em vendanova de publicidade, e foi bom pra mim.
Aprendi que, para vender para homens, deve-se usar saia e falar mais manso. E, para mulheres, elogiar o cabelo.
Aprendi também que, o cliente tem sempre razão desde que compre bastante.

Não posso deixar de citar que é um produto importado. Diretamente de Justin-ópolis, ele é preparado por 7 virgens em 7 horas. E só é vendido após 7 dias, ou seja, não há como duvidar da eficácia. Além disso, tem o segredo. Não existe sucesso sem segredo, então não insista pois não contarei a fórmula, nem nada.

Enfim... fui comerciante por um tempo. E nessa lida conheci algumas pessoas, alguns gordos viciados em chocolate [o produto fodão se disfarçava sob a forma de pão-de-mel], nerds virgens loucos pra namorar, mulheres com tpms criminais... enfim, uma diversidade de pessoas. Contatos nunca são demais né, ainda mais pra esposa de um futuro vereador, mas isso é papo pra outra hora.

Com isso aprendi também a contar moedas, a ser sorridente e a argumentar. Isso mesmo! Agora, sou quase uma advogada e defendo com uma ferocidade medonha. Tudo graças ao pão-de-mel-milagroso. Com tantos aprendizados, contatos, e milagres, surge outra pergunta: Enriqueceu? E eu respondo. "Nunca será!" Mas, sou mais rica em risadas e em amigos. Sem falar, que muita gente deve a vida à mim. Desde o que quebrou o pé e usou o efeito cicatrizante até o carinha que tirou uma com a vizinha sem falhar, usando o efeito afrodisíaco. Essa foi minha filantropia capitalista!

Quero concluir expondo que tudo que eu digo é verdade e é provado científicamente.
Posso dizer também que:
Eu poderia estar matando, roubando ou dormindo com seu namorado... mas não!
Estou fazendo propaganda de algo que pode revolucionar a sua vida pra sempre.

Então é isso: pão-de-mel, o salvador.
Não deixe de provar.

11 de mar. de 2009

Dança.

Dançar a dança dos inacabados
dos anjos
caídos em imperfeição.
Somos homens errantes,
ou não.

Sempre humanos e
na roda vida em
lá menor.
Somos de febre
com carne
ao redor.

Ame seu erro
e sua passagem.
Não perca tempo,
não pule
vontade.

Dance.

[De modo incompleto somos todos nós, e se o nó é cego é você quem dirá.
Na guerra, até o último homem. De sangue, até a última gota.
O amor? Ah..., o amor se estende além da música.]

17 de fev. de 2009

Pulando nossas
próprias
janelas entreabertas
superamos
qualquer contar
de relógios.
Ultrapassamos
os tictacs de nós
mesmos
mes-mo.
Nosso jeito é
todo nosso
Eternizado em
alma e carne.
Ainda somos
e seremos
sem que nos vejam,
e
fazendo samba
até mais tarde
[escondidinhos].

- para meu carnaval,
meu Júlio Cézar.

6 de fev. de 2009

Eu não sou vegetariana

Muito pelo contrário,
sou sedenta e faminta
de carne.
Daquela quente que
se serve no prato,
e da ainda mais quente,
a que se serve
no quarto.
Gosto das mal passadas
e febris.
Das ardentes e das
apaixonadas.
Eu gosto de carne.
Eu sou carne.
[rubra e crua
como deve ser].

24 de jan. de 2009

Meio sei lá.

Não sinto mais
não vejo.
Não quero
não meço
não peço
não mereço.
Nego tudo
e todos
da dor, do sorriso
do torpor
do paraíso.
Não vou
não leio
não vejo
e não preciso.
Não como
não bebo
não durmo.
Apenas
negação.

É o que se faz quando se está assim meio sei lá.
Bem-vindos ao meu não.

22 de jan. de 2009

Um amor ilustrado em acordes.


Tudo começou quando o verão ainda castigava. Começou na voz de Seu Jorge, quando este, e toda a sua farofa, prometiam o céu, o amor e um anel de um, ainda, admirador à Pretinha, que mais tarde veio a ser sua (e de mais ninguém). Uma Pretinha loira, de olhos claros e pele alva até demais, mas que o espera no cartório ou na igreja, se ele quiser.
Sim, a primeira música veio antes do primeiro beijo. E alguns meses antes.
Precoce? Acredito que não. Prefiro chamar de: premonitório.

Quando deram um passo adiante nas próprias vidas, não deixaram de levar uma música, ou, várias. Não contentes com a voz, esperaram a presença de cantadores devidamente treinados e iniciaram, em meio ao arrastar de móveis, o que seria êfemero. Essa era uma visão parcial da situação, uma visão dele, na verdade. Ele confiou que ela, enquanto furtiva, não se renderia, mas ela logo o convenceu do contrário. Ao som dos Móveis Coloniais de Acaju, foi selado à lábio o que nosso Jorge há muito cantava.

Um tempo depois, ela pediu à Céu que o dissesse que ele a olhava sem permissão, e que ela, enquanto refém de um sentimento novo, ficava sem ar, sem chão. A flutuar numa súbita felicidade. Ela quis que a Céu falasse à ele o quão bonito ele era e que o amor era malemolentemente gostoso.
Assim a Céu o fez, e fez bem. Pouco depois, outro favor foi pedido. Desta vez, um favor de um coração triste de saudade. Ela pediu para que a cantante mandasse um recado para que não tivesse nenhum atrazo na volta de certa viagem. E o atrazo durou 9 intermináveis dias.
A saudade castigou sem piedade, dilacerando como nunca. Ela só pensava nele e ele...
Ah, ele queria muito abraçá-la de novo e assim o fez bem na horinha que voltou pros braços dela. Um abraço gostoso, dado como quem diz " é aqui que quero estar sempre!".

Ele fez questão de usar o Lenine para dizer à ela que nenhuma outra era suficiente pra saciar um querer extenso demais. Usou pra dizer que sentia que ela era todas elas juntas num só ser e, ao fazer isso, ele sentiu que ela também o queria por querer. O Lenine ainda mostrou aos dois que relógios eram atrazados e pressas acalmadas no sôssego de um carinho.

Em certa noite, ela ouviu baixinho a Zélia Duncan a pedir pra que tivesse calma. Pra que deixasse o beijo durar, e esperasse o tempo curar. A Zélia já sabia que aquele momento e aquele casal teriam a idade do céu.

A Maria Rita, por sua vez, cantou à ele um bumbar que ele já conhecia. O bumbar no qual ela vinha o trazendo lentamente, deliciosamente.

Os Los Hermanos, fazendo questão de entrar numa história tão linda, cantaram o que eles sentiam. E eles sentiam que o verão era pra bem mais tarde, que o sofá era bom demais. Pra encerrar a passagem dos barbudos, deixaram, sem maiores explicações, a frase: além do que se vê.

Outra música que muita coisa diz sobre os dois é um presente na voz da Paula Lima. E nela, eles puderam ver um ao outro em azul. Puderam perceber que um sempre pertenceu ao outro e que todo o amor, há muito guardado, encontrara sem ponto final.

Pra tentar finalizar a lista, que pelo infinito ainda se estende, de depoimentos cantados pros dois, vou deixar uma música com nome de empate e que ela gosta taanto, taanto. Uma música deixada por três maestros e que diz exatamente o que ela sente. Que quer aprender com ele e jogar e ultrapassar o tempo regulamentar. Sem cartões vermelhos ou substiuições, ela quer viver a todo o momento na penalidade máxima. Isso mesmo, na risca do pênalti. Só pra sentir a adrenalina se misturando ao sabor de um jogo eterno e perfeito. Um a um.

Um amor ilustrado em acordes, que ruma numa eternidade atemporal.

16 de jan. de 2009

Alvi - nader.




O sol às vezes ri de mim
E ri quando exponho pernas brancas
Brancas e felizes.
Não combino
com dias frios, vazios.
Ou combino, pois adoro.
E faço deles os mais
prenhes e aproveitáveis
Mas o sol às vezes ri de mim
E ri quando exponho pernas brancas
Brancas e felizes.
São frios quentes no meu peito
e eu sei enxergá-los assim.
Gosto do ventinho no rosto
do abraço caloroso que aparta.
De ter motivos pra ficar juntinho.
Mas, mesmo assim,
o sol às vezes ri de mim
E ri quando exponho pernas brancas
Brancas e felizes.
Ler, dormir, sorrir
é bem mais fácil sem ele
E eu sei que ele também
me hostiliza.
É um não gostar recíproco
Ele ignora a minha existência,
e eu tento me esconder da dele
Mesmo quando ele
às vezes ri de mim
E ri quando exponho pernas brancas
Brancas e felizes.
Posso até deixar
que o astrorei saia vencedor.
Mas nada vai tirar
da minha cabeça
que a felicidade é
quente, mas
é quente
no inverno.

~ Senhora das coxas brancas.

15 de jan. de 2009



Não ligo se pode ser efeito colateral/bilateral
de uma droga estranha.
O fato é que sou; ainda que carente.
Lançar perfume?
Não hoje.
Meus verdes insistem em vermelhos.


"Não vou forçar

uma letra bonita

ou uma palavra

gentil."